O ALICERCE DO ESPIRITISMO

o-alicerce-do-espiritismo           Para alcançarmos o elevado patamar do Espiritismo não basta acreditarmos em vida após a morte; não basta ouvirmos vozes do além e nem incorporarmos espíritos.

Sabemos que a comunicação com o outro mundo e a crença na imortalidade da alma não são aspectos exclusivos de nossa doutrina. A Umbanda e o Candomblé aceitam a manifestação dos espíritos. O Budismo e o Hinduísmo aceitam os princípios de reencarnação; entretanto, não estão dentro da esfera espírita.

          Espiritismo legitimo, dentro da esfera kardecista, se enquadra nos princípios que nos foram legados pelo mestre lionês. Sim, meus amigos, o Espiritismo legitimo, como ciência, filosofia e religião, por certo extraímos das sábias lições do nosso mestre Kardec.

O legado do sábio pesquisador francês, eternizado como o codificador do Espiritismo, sem dúvida constitui o sólido alicerce de nossa Doutrina. Sim, foi Kardec quem introduziu pela primeira vez os termos Espiritismo e espírita.

A pessoa pode ser espiritualista, mas não ser espírita. O espiritualista aceita e acredita ter em si “algo” além da matéria, mas não é espírita. O espírita tem como base Kardec, aceita plenamente a comunicabilidade com os espíritos e, acima de tudo, se caracteriza por sua transformação moral, para melhor.

(…) Das observações de Kardec, com base em sua cultura e razão, por certo nasceu a nossa Doutrina. O Espiritismo nasceu na França, mas floresce no Brasil. A árvore do Espiritismo foi plantada na França pelas mãos do Codificador, mas graças a Deus vem ampliando os seus galhos no Brasil.

A nossa Doutrina tem como pedra angular O Livro dos Espíritos. Até hoje, ninguém conseguiu destruir uma linha sequer desse monumento do Espiritismo.

Domério de Oliveira

Trechos extraídos da revista
“Espiritismo e Ciência Especial: Grandes Temas do Espiritismo”
Nº 19, Mythos Editora
Pag. 28 e 29

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SOMOS CRIATURAS OU FILHOS DE DEUS?

somos-criaturas-ou-filhos-de-deusSegundo o cristianismo tradicional, os seus adeptos são os únicos credenciados para se afirmarem filhos de Deus. Essa opinião é baseada em alguns textos, como por exemplo, João 1:12 onde se lê: “Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus”.

Para entender essa e outras passagens é necessário compreender o contexto e as motivações dos discípulos de Jesus naquele momento.

Os seguidores mais próximos de Jesus, sendo judeus, estavam impregnados pelas mitologias de seu povo. Utilizando como ideia inicial de suas reflexões a queda do primeiro casal e a consequência da sua desobediência: o pecado original.

Assim, acreditavam que, sendo Adão filho de Deus (Lucas 3:38), pois foi criado diretamente das suas mãos, ao perder a filiação divina por ocasião da queda, transmitiu para a sua descendência a condição de criaturas em busca de reconciliação com o seu criador. Somente após se reconciliarem com o Eterno é que o gênero humano poderia ascender novamente ao status de filhos.

Até mesmo os judeus que eram chamados de povo de Deus não detinham essa prerrogativa, pois se consideravam filhos de Abraão (Lucas 3:8), igualando-se nesse sentido (de criaturas) aos gentios.

Jesus era o elo que faltava para essa reconciliação. Se Adão condenou o ser humano a carregar um pecado hereditário, Jesus resgataria essa falta pelo sacrifício da própria vida (Romanos 5: 8-19). Reconduzindo todos os que passassem a crer em seu sacrifício para a comunhão filial com o Eterno. Já não serão apenas criaturas, mas legítimos filhos de Deus.

Acontece que as descobertas da ciência demonstram a inexistência dos personagens de Adão e Eva comprovando a sua origem mitológica e simbólica. Invalidando por consequência o resultado de sua queda.

Jesus por sua vez, não poderia substituir essas ideias mitológicas sem prejuízo para a sua missão. Portanto, teve que submeter-se às opiniões da época e trabalhar com o material que dispunha, para que a sua mensagem pudesse ser assimilada e disseminada, já que a doutrina da substituição sacrificial era algo aceito em praticamente todas as culturas da região e também em outras localidades do mundo. Desse modo, quando Jesus disse: “ide e pregai a toda criatura” (Marcos 16:15), apenas reproduzia um conceito que poderia ser aceito sem dificuldades.

Infelizmente, ainda hoje, para a maioria dos cristãos apegados à mitologia, todos os que não se enquadram no seu modelo de cristianismo estão sob o peso do pecado e apartados da filiação divina, sendo considerados apenas criaturas, deserdadas assim do reino dos céus até retornarem à condição de filhos, aceitando o holocausto de Cristo.

A Doutrina Espírita seguindo de mãos dadas com os achados científicos, não vê Adão e Eva como pessoas reais, mas, personagens alegóricos e o pecado original por consequência não aconteceu. Por conseguinte, também não houve sacrifício de substituição na cruz, quer dizer, Jesus não morreu para apagar o pecado original nem nos substituiu nos pecados individuais. Logo, todos os seres humanos são filhos de Deus e herdeiros dos Céus, isto é, todos têm condições de chegar aos planos espirituais mais elevados, através da evolução e da reencarnação.

São as diferenças evolutivas que dividem os filhos de Deus entre aqueles que já fazem a vontade do Pai, se conduzindo no caminho do bem e estando em maior sintonia com Ele ou como disse Paulo: “são guiados pelo espírito de Deus” (Romanos 8:14). E os que por vontade própria se afastam dessa sintonia, não realizando a reforma interior. O retorno ao caminho do correto agir através do arrependimento reforça os laços com os Espíritos do Senhor, volvendo o homem ao equilíbrio de sintonia mental com o Deus, por meio da oração sincera e da caridade.

“Deus prefere os que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que pensam honrá-lo através de cerimônias que não os tornam melhores para os seus semelhantes.”
“Todos os homens são irmãos e filhos do mesmo Deus, que chama para ele todos os que seguem as suas leis, qualquer que seja a forma pela qual se exprimam.” O Livro dos Espíritos, questão 654.

Jefferson Moura de Lemos

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MOISÉS E A SOBREVIVÊNCIA DA ALMA

MOISÉS E A SOBREVIVmoises-e-a-sobrevivencia-da-almaÊNCIA DA ALMA

“E morre no monte ao qual subirás; e recolhe-te ao teu povo, como Arão teu irmão morreu no monte Hor, e se recolheu ao seu povo.” (Deuteronômio 32:50)

     Para os mortalistas, que são os cristãos que não creem na imortalidade da alma, esse versículo apenas enfatiza o retorno do grande legislador hebreu ao pó da terra. Ressaltando que na morte, Moisés e Arão seguiram o mesmo caminho dos seus antepassados, descendo ao sepulcro.

       Mas, essa ótica mortalista não encontra respaldo no texto nem no raciocínio, visto que o aviso propunha um retorno especifico, guardando nas entrelinhas a esperança e a consolação de um futuro reencontro entre seres conscientes. Isto não pode se dar entre elementos inorgânicos, que é o que acontece quando ocorre a decomposição dos corpos, cujos componentes são reaproveitados pela natureza, tornando todos os restos mortais, sejam de humanos ou de animais solidários no pó.

       Assim, de nenhum modo o anúncio feito pelo Espírito Superior a Moisés aponta para a sepultura. Isso fica bem claro na frase: “Recolhe-te ao teu povo”.

      Muitas comunidades veem os cemitérios como solos sagrados de seus antepassados e fazem questão de serem enterrados no mesmo terreno em que estão os despojos de seus ancestrais, e isso até poderia explicar a passagem em tela. Todavia, o texto não se refere a algum cemitério hebreu, em que Moisés poderia ter sido enterrado junto dos seus, pois os hebreus estavam errantes no seu caminho para Canaã [1]. Alias, O transpasse ocorreu no monte Nebo, próximo das planícies moabitas de onde Moisés vislumbrou a terra prometida sem poder entrar nela.

       Assim sendo, essa passagem Deuteronômica fica ininteligível, quando não utilizamos a chave interpretativa da imortalidade da alma. E o referencial mais abalizado sobre essa ideia é a opinião de Jesus.

       Moisés no período inicial de sua missão, quando foi informado pelo mensageiro de Deus na sarça ardente que seria o libertador dos hebreus da escravidão egípcia [2], ouviu a seguinte frase: “Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó”. O anjo não disse ‘Eu Fui’ ou ‘o Deus que Abraão adorou’, mas, asseverou apenas: “Eu Sou”. Em outras palavras, os três ainda eram servos do Eterno permanecendo vivos e conscientes no mundo espiritual e o Senhor continuava sendo o seu Deus.

       Esse mesmo pensamento foi relembrado por Jesus perante os Saduceus que eram os mortalistas da época [3]. Reafirmando a frase dita a Moisés, o Mestre de Nazaré advertia os discípulos de Zadok que erravam por não interpretarem corretamente a Bíblia acerca da imortalidade, visto que o Senhor não é Deus de mortos, mas de vivos [4]. Em outro momento Jesus ratificou novamente a sobrevivência e consciência dos mortos na parábola do Rico e Lázaro se dirigindo aos fariseus [5].

       Ora, Jesus reprovou o ceticismo saduceu e não reprovou o imortalismo farisaico, reforçando ainda mais essa crença através da parábola. Isso significa que o próprio Cristo compartilhava desse credo, caso contrário, teria repudiado publicamente a sobrevivência e o estado cônscio da alma, como fizera tantas vezes ao referir-se a hipocrisia farisaica [6].

        Portanto, a mensagem direcionada a Moisés utilizando a chave da imortalidade da alma, queria dizer que, apesar de não poder habitar fisicamente a terra de Canaã, o legislador ao morrer [7] iria se reunir à comunidade dos hebreus que já estava no mundo espiritual, como aconteceu com seu irmão Arão. A Lei de afinidade é universal e os espíritos desencarnados como os encarnados geralmente procuram aqueles com quem mantêm relações de amizade ou culturais.

       Por isso, séculos mais tarde, durante o fenômeno da transfiguração o espírito de Moisés ao lado de Elias apareceu diante de Jesus. Sancionando definitivamente a continuidade da vida no mundo espiritual e a comunicação entre esses dois mundos [8].

       Na pergunta 160 de “O Livro dos Espíritos” encontramos o seguinte questionamento de Allan Kardec aos espíritos superiores: “O Espírito se encontra imediatamente com os que conheceu na Terra e que morreram antes dele?”

       E a espiritualidade respondeu: “Sim, conforme à afeição que lhes votava e a que eles lhe consagravam. Muitas vezes aqueles seus conhecidos o vêm receber à entrada do mundo dos Espíritos e o ajudam a desligar-se das faixas da matéria. Encontra-se também com muitos dos que conheceu e perdeu de vista durante a sua vida terrena. Vê os que estão na erraticidade, como vê os encarnados e os vai visitar.”

          Na parábola do mordomo infiel Jesus em sua conclusão ilustra o mesmo ponto de vista dos espíritos da Codificação Kardequiana: “E eu vos digo: granjeai amigos com as riquezas da injustiça, para que, quando estas faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos”. Quer dizer, o homem iníquo ao arrepender-se e utilizar a sua riqueza em beneficio do próximo, fará amigos agradecidos. E esses o receberão depois da morte no mundo espiritual (tabernáculos eternos). Acontecendo o mesmo para o homem que continua iníquo, sendo recebido no plano espiritual por injustos como ele.

     É a mesma Lei de afinidade que rege as relações humanas nos dois planos da vida. Harmonizando as três revelações de Deus: O Judaísmo, o Cristianismo e o Espiritismo.

Jefferson Moura de Lemos

[1] Números cap. 14
[2] Êxodo 3:6
[3] (Atos 23:7-8)
[4] Lucas 20: 37 – 38
[5] Ver nosso artigo: A Parábola do Rico e Lázaro
[6] Logicamente que o conceito sobre uma vida além-túmulo no Antigo Testamento era muito vago, embora acreditassem numa vida espiritual subterrânea no Xeol. Todavia, o Espírito do Senhor que se dirigiu ao grande legislador confirmando que o desencarne dele estava próximo e também Jesus tinham o conhecimento real sobre a vida do espírito no pós-morte.
[7] Deuteronômio: 34: 5,6,8. Josué 1:1-2
[8] Ver também nosso artigo: “Jesus e o espírito de Moisés”.

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PAULO E A RESSURREIÇÃO ESPIRITUAL

paulo-e-a-ressurreicao-espiritual      O judaísmo se desenvolveu assimilando e adaptando muito dos fundamentos religiosos e culturais dos povos politeístas que existiam ao redor dos assentamentos hebreus.
Essas sociedades elaboraram varias histórias sobre homens especiais ou semideuses, que puderam adentrar fisicamente no mundo espiritual, descendo [1] ao mundo dos mortos ou subindo à residência dos deuses.

O judaísmo também incorporou em sua mitologia heróis que foram transferidos corporalmente para a morada divina. Como aconteceu com o lendário Henoc e o profeta Elias.

Entretanto, os antigos não notavam a impossibilidade de um corpo biológico viver num ambiente puramente espiritual. As tradições escritas, recuperadas pelos historiadores demonstram que não havia realmente essa preocupação.

Todavia, as passagens do Novo Testamento referentes ao apóstolo Paulo evidenciam que ele preocupou-se com esse detalhe, desenvolvendo no decorrer do seu apostolado o conceito de corpo espiritual [2]. Se havia um corpo material, deveria existir também um corpo espiritual, o primeiro é da terra, o segundo é do céu raciocinava (1Coríntios 15:49).
É provável que o convertido de Damasco tenha passado a investigar a existência dessa substância a partir do impacto que a visão luminosa de Jesus deixou registrado em sua mente. Ora, se Jesus ressuscitou corporalmente, de acordo com a informação dos discípulos, como apareceu de maneira semelhante a um ser espiritual? Talvez alguma transformação devesse ter se operado em seu corpo ressurreto, possibilitando esse fenômeno.

Essa conclusão não se tratava apenas de uma dedução metafísica, havia relatos testemunhais que confirmavam a existência desse segundo corpo, colhidos ou constatados pelo próprio Paulo durante as suas andanças. Como se pode verificar em algumas passagens:

“Em verdade que não convém gloriar-me; mas passarei às visões e revelações do Senhor. – Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo, não sei, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao terceiro céu. E sei que o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) – Foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar.” (2 Coríntios 12:1-4)

     A dúvida se o dito homem foi levado em um corpo sutil expõe claramente que essa possibilidade era plausível. Outro acontecimento interessante é narrado no livro de Atos 16:9 quando o apóstolo recebe a visita em espírito de um jovem macedônio, que também passava por uma experiência fora do corpo. Na visão, o rapaz pede para Paulo se dirigir à Macedônia e levar seus ensinamentos: “Passa à Macedônia e ajuda-nos”. Esses fenômenos sugeriam que o corpo espiritual constituía parte essencial do ser humano, podendo ausentar-se provisoriamente, sem que o indivíduo passasse obrigatoriamente pela morte. Isso implicava imortalidade da alma, crença que Saulo já conhecia quando pertencia à seita dos Fariseus.

Desse modo, o apóstolo dos gentios passou a ensinar que os mortos vão ressuscitar já transformados, revestidos desse segundo corpo, quer dizer, a ressurreição não seria em carne, mas, consistia numa manifestação visível e definitiva dos espíritos dos que morreram [3]:

“Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão?” – “Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção.” – “E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.” (1 Coríntios 15:35;42;49) – “Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos; À universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados.” (Hebreus 12:22-23)

     Quanto aos vivos, Paulo ensinava que teriam necessariamente que passar por uma transformação ainda na carne, perdendo as características materiais, visto que o corpo físico não poderia existir numa esfera imaterial: “Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais” – “E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção.” (1 Coríntios 15:48;50).

Assim, sendo, as antigas afirmações de que pessoas poderiam ascender fisicamente ao céu foram rechaçadas e o apóstolo vê nesses personagens pessoas que foram espiritualmente transladadas. Na sua epístola aos hebreus 11:4-11, ele faz uma lista de personagens destacados pela sua fé incluindo Henoc dizendo: “Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara” (Hebreus 11:5). Só que mais adiante esclarece: “Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra” (Hebreus 11:13). Ou seja, segundo ele acreditava, Henoc não passou por uma morte normal, seu corpo não sofreu decomposição pela terra como acontece com todos, mais foi transformado ainda vivo, perdendo o componente biológico e tornando-se completamente uma criatura espiritual [4], morrendo fisicamente como todos os homens.

Partindo desses raciocínios, Paulo acreditava, quando escreveu essas cartas, que Cristo retornaria estando ele ainda vivo e todos os seus contemporâneos passariam pela mudança, isto é, pela substituição completa do corpo material pela substância espiritual:

“Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos [5], mas todos seremos transformados; – Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. – Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. – E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória.” (1 Coríntios 15:51-54) [6]

     Entretanto, Jesus não retornou na época de Paulo. Na realidade, o Apóstolo das gentes anteviu de maneira imperfeita (1 Coríntios 13:9-10) o futuro da humanidade, quando o mundo será habitado exclusivamente por seres espirituais aperfeiçoados [7]. Atualmente todos ressuscitam após a morte, ou seja, retornam ao plano espiritual revestidos do envoltório perispírito. Em outras palavras, desencarnar é ressuscitar, só que provisoriamente, pois a reencarnação ainda é uma necessidade. Transitando entre dois mundos, um denso e outro fluídico, tornamo-nos invisíveis na maioria das vezes para os que ficam encarnados. No futuro, todos estarão unidos, pois não haverá mais desencarne nem reencarnação na terra, já que todos estarão vivendo definitivamente na vida espiritual, num lugar purificado e renovado pelo afastamento dos espíritos que não quiseram evoluir. Com a evolução, a matéria dos corpos físicos irá tornar-se gradativamente cada vez mais rarefeita e no final restará apenas o perispírito como veículo de manifestação dos moradores do orbe terreno, que também estará igualmente menos denso e espiritualizado.

Essa futura vida puramente espiritual é testificada nas seguintes palavras de Jesus:

“E, respondendo Jesus, disse-lhes: Os filhos deste mundo casam-se, e dão-se em casamento; Mas os que forem havidos por dignos de alcançar o mundo vindouro, e a ressurreição dentre os mortos, nem hão de casar, nem ser dados em casamento; Porque já não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.” (Lucas 20:34-36)

Jefferson Moura de Lemos

Referências e notas:

[1] Para os antigos, o espírito descia para um mundo espiritual debaixo da terra denominado pelos hebreus de Xeol. E assim como seu equivalente mesopotâmico o Arallu, a vida do espírito no Xeol era temida e não desejável, pois o morto vagava como uma espécie de sombra, sem o contato frequente com os vivos e sem os prazeres da vida corpórea, então ter uma vida longa era a maior benção que um mortal poderia ter. Daí o pessimismo que muitos textos do antigo testamento demonstram pelo post-mortem levando muitos estudiosos a negarem errôneamente a crença na imortalidade da alma nesses documentos. O próprio Jesus desceu em espírito ao Xeol ou mansão dos mortos e pregou aos espíritos em prisão (Efésios 4:8-10; 1 Pedro 3:18-19; Hebreus 13:20)
[2] No espiritismo o corpo espiritual é chamado de perispírito.
[3] Após a morte de Jesus, vários espíritos materializados se mostraram às pessoas e estas por não compreenderem o fenômeno julgaram que eles haviam sido ressuscitados corporalmente. Nenhuma escritura posterior falou mais sobre esses ressuscitados o que demostra que eram aparições temporárias de espíritos (Mateus 27:50-53).
[4] Eclesiástico 44:16; Sabedoria 4: 10-11
[5] Entre os costumes dos povos do oriente médio, e não somente dos judeus, a morte era comparada com o sono em referência somente aos despojos físicos, que voltavam ao solo de onde provieram.
[6] Ver também: 2 Coríntios 5:6-8; Filipenses 3:20-21; Romanos 8:21
[7] Hebreus 1:10-12; Isaías 65:17; 2 Pedro 5: 10-13 – O Evangelho Segundo o Espiritismo cap. 3 itens 3 a 19; A Gênese Cap. 11 item 27,28; O Livro dos Espíritos questões 41, 591, 601. Todos de Allan Kardec.

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OS INSTINTOS E A ORIGEM DO MAL

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“Estudando-se todas as paixões e, mesmo, todos os vícios, vê-se que as raízes de umas e outros se acham no instinto de conservação, instinto que se encontra em toda a pujança nos animais e nos seres primitivos mais próximos da animalidade, nos quais ele exclusivamente domina, sem o contrapeso do senso moral, por não ter ainda o ser nascido para a vida intelectual. O instinto se enfraquece, à medida que a inteligência se desenvolve, porque esta domina a matéria. (A GÊNESE, CAPÍTULO III – item 10, Origem do bem e do mal).

A EVOLUÇÃO DO ESPÍRITO E OS INSTINTOS

          Segundo a Doutrina Espírita o Espírito é criado simples e ignorante, nessa fase inicial ele é denominado de Princípio Espiritual ou Princípio Inteligente. [1]
A partir de seu surgimento o Princípio Espiritual ou Inteligente começa o seu processo evolutivo passando por determinadas etapas, que são uma preparação antes de tornar-se um espírito propriamente dito, isto é, um ser autoconsciente. Esses estágios preparatórios ocorrem nos três reinos da natureza: O Reino Mineral, o Reino Vegetal e o Reino Animal.
Nesses reinos domina o determinismo e a vida instintiva, não existindo para o Princípio Espiritual uma consciência individual de si próprio e nem liberdade de escolha. Assim, nos minerais reina totalmente as leis Físico-Químicas, ao passo que nos primeiros organismos e nos vegetais, além desses processos existe também a organização da forma orgânica, o metabolismo e a sensibilidade, isto é, uma reação aos estímulos externos. Nos animais somam-se a essas características, também os instintos e o desenvolvimento de uma inteligência limitada às suas necessidades imediatas, como se observa principalmente entre os mamíferos.
Algumas espécies de mamíferos superiores também se destacam por demonstrarem comportamentos que já evidenciam a obtenção de uma autoconsciência e uma inteligência relativamente mais desenvolvida, como é o caso de chimpanzés, orangotangos e golfinhos. Esses Princípios Espirituais encontram-se num estágio muito próximo da individualização completa, no limiar da humanidade primitiva, como foram os hominídeos, os ancestrais do homem moderno. [2]
Chegado à fase humana, começa para o Princípio Espiritual a sua vida como Espírito, isto é, uma individualidade dotada de autoconsciência e livre arbítrio. Nesse estágio, não há mais possibilidade de retorno aos estágios anteriores, não podendo mais a alma humana reencarnar num corpo animal e você versa. [3]
Embora o ser humano também faça parte do Reino Animal, como mamífero e primata, convencionou-se para efeito didático, criar o vocábulo hominal para facilitar o entendimento e por ter alcançado os atributos de autoconsciência, raciocínio desenvolvido e livre arbítrio, características que o colocam de certa forma à parte perante os seus irmãos menores. [4]

OS INSTINTOS E O MAL

As qualidades próprias da humanidade vão aos poucos surgindo e se sobrepondo ao determinismo e a influência instintiva, tornando o ser humano capaz de intervir na natureza e no seu próprio destino. Todavia, os condicionamentos adquiridos nos reinos anteriores não desaparecem totalmente a não ser de forma gradual, os instintos vão somente aos poucos sendo subjugados à medida que o Espírito desenvolve a inteligência, a razão e a vida moral. Desse modo, os povos mais selvagens são os que estão mais próximos desses condicionamentos instintivos, por ainda não terem o intelecto e o senso moral desenvolvidos. [5]
A cada nova existência o espírito vai se despojando desses estímulos primitivos, mas, esse trabalho acontece de maneira mais ou menos rápida dependendo sempre da sua vontade e da liberdade de escolha que adquiriu. Podendo contrair outros condicionamentos nessa trajetória, acelerando a sua evolução ou retardando-a. Principalmente aquelas ligadas aos sentidos, quando então a sua razão e moralidade podem se tornar anestesiados pelas paixões inferiores e a sua inteligência subjugada e direcionada apenas à satisfação daquilo que constitui o seu objeto de prazer.
Nesses condicionamentos está a origem do mal. Quando essas influências instintivas dominam, sobrepujando a inteligência, a razão e a vida moral, sobejam os vícios de toda ordem, os excessos do orgulho e da vaidade, à busca pelo poder e todos os males que a humanidade vivenciou, vivencia e infelizmente ainda irá vivenciar por muito tempo. [6]

AS INFLUÊNCIAS ESPIRITUAIS E AS MITOLOGIAS

          O Espírito quando desencarnado e ainda dependente dos prazeres a que cedeu quando no plano físico, sofre por não podê-los satisfazer no mundo espiritual, almejando desse modo, ligar-se a um encarnado que compartilhe dos mesmos desejos, transformando-se num espírito obsessor.
Essas influências espirituais de espíritos humanos inferiores sempre existiram, estando presentes desde o surgimento da humanidade, sendo interpretadas de maneiras diversas na religiosidade e mitologias antigas, personificando-se muitas vezes em criaturas malfazejas que tentam desviar o homem, tornando-se adversárias dos deuses (Politeísmo) ou do próprio Deus (Monoteísmo), como é o caso de satã no cristianismo tradicional. Satanás, arimã ou quaisquer outras personificações mitológico/religiosas do mal, nada mais são do que representações da coletividade de espíritos humanos sofredores ou mal intencionados, ainda presos aos instintos inferiores. [7]

Jefferson Moura de Lemos

[1] O Livro dos Espíritos, questões: 23 e 79. A Gênese, cap. XI, item 1.
[2] A – O Livro dos Espíritos, questões: 189, 190, 604, 606, 606A.
B – No Mundo Maior, de André Luiz, cap. 4.
C – Evolução em Dois Mundos, André Luiz, cap. 4.
D – Essa humanização provavelmente não acontece mais em nosso orbe, por não abrigar mais humanos tão primitivos. Devendo ocorrer em mundos que devam estar no estágio de primitividade que a terra esteve no passado.
[3] O Livro dos Espíritos, questões: 611, 612 e 613.
[4] O Livro dos Espíritos, questão: 595.
[5] O Livro dos Espíritos, questões: 191, 849.
[6] O Livro dos Espíritos, questões: 605 e 605A, 845, 846, 907, 908.

[7] A Palavra hebraica Satã ou Satanás significa originalmente “adversário” e era empregada para todos os casos em que alguém se opunha a outrem. Até mesmo o anjo do Deus foi chamado satã (Números 22: 22). O vocábulo ganhou a conotação espiritual exclusivamente maléfica empregada atualmente a partir da influência dualista do Zoroastrismo, tornando-se à semelhança de Arimã o adversário de Deus.

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