O NOVO CONCERTO E A REMIÇÃO PELA FÉ

     O NOVO CONCERTO E A REMIÇÃO PELA FÉimages (1)

          Para os crentes (…). O Segundo concerto teria sido consumado no Gólgota, no instante em que Jesus teria expiado nossos pecados através de sua crucificação. Esse ato teria levado Deus a mudar a ordem das coisas e, a partir daí, a salvação das almas estaria condicionada “à fé”.
Na Lei de Moisés, a remição dos pecados decorria da observância à Lei e do sacrifício de animais. No concerto com Jesus, referida remição seria obtida mediante a fé, ou seja, a aceitação de Cristo como o filho de Deus. Estarão imediatamente livres da culpa e da condenação todos, que declararem acreditar em Jesus.
Pensando assim, ficou até mais fácil com Jesus de que com Moisés. Com o Cristo basta a fé. Com Moisés o pretendente à remição de pecados estava sujeito a doar um bode ou um bezerro, para ser morto, o que acabava representando um custo.
Crimes hediondos, mortes, tragédias, estupros, destruições, assassinatos, roubos, prostituições, calúnias, toda sorte de torpeza e iniquidade praticada pelo homem, seria remido por um simples ato de aceitação de Jesus como o salvador. Fácil, não?
Só esqueceram de um pequeno detalhe: a vítima. Ou, melhor, as vítimas. Como ficaria a multidão de almas esbulhadas [1], ofendidas, maltratadas, destruídas, vilipendiadas pelos ofensores? Muitas até assassinadas, sem que tivessem tido tempo de também aceitar Jesus? Onde ficariam os clamores dos que esperam pela justiça Divina? O algoz, ao aceitar Jesus, é “perdoado” Gratuitamente de seus pecados. Onde ficaria a justiça?
Rejeitamos esta crença do “perdão” pela fé, por uma razão elementar: ela é contrária aos princípios de justiça aclamados por Jesus. Em nenhum momento Jesus pregou o perdão gracioso das dívidas. Muito pelo contrário, Ele deu ênfase à necessidade do pagamento das dívidas, chegando a dizer que daqui não sairemos enquanto não tivermos pagos o último centavo (MT 5:26).
Não precisa ser estudioso do Evangelho para saber que a moral cristã está amparada na Justiça Divina. O homem que perdoa confia na justiça de Deus. Os que não acreditam nessa justiça recorrem à vingança. Seria justo isentar de pecados irmãos cujo único mérito seja aceitar Jesus como Salvador? E que nada fizeram em prol de suas vítimas? [2]
A verdade é que a fé não isenta ninguém de reparar seus erros. Aceitar Jesus como seu Salvador é um ato meritório, que deve levar o transgressor a refletir acerca da necessidade de se reposicionar na vida, substituindo erros por virtudes. E isto só se obtém com a prática das boas obras.
Cristo disse, por exemplo, “… importa que o filho do homem seja levantado, para que todo aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3: 15). É absolutamente certo isso aí.
Resta saber o que ele pretendeu dizer com a expressão “Nele crer”. Legítimo crente em Cristo é aquele que adota o padrão de vida por Ele exemplificado, que se resume na prática da caridade e do amor ao próximo. Quem assim vive acumula méritos espirituais, e como a Lei é “a cada um segundo as suas obras”, o legítimo crente em Cristo está habilitado para a felicidade futura (a vida eterna).
O mero ato de crer não isenta o devedor da obrigação de “reparar” seus erros.
Nascer de novo, voltar ao mundo da carne, sofrer na pele os males que haja impingido a outrem aí sim, o saciamento da justiça de Deus se patenteia, e o enunciado evangélico do “aí não saireis enquanto não pagares o último ceitil” se confirma. [3] E o devedor, por sua vez, ao resgatar sua dívida retornará à pátria espiritual aliviado dos seus erros e feliz por ter sido merecedor da glória que o espera. [4]

Extraído do livro “O Espiritismo à Luz da Bíblia Sagrada”

Autor: Melcíades José de Brito

Editora DPL, P.62 a 67

Notas do blog:

[1] Espoliadas, privadas.
[2] A justificação pela fé é uma das doutrinas do protestantismo, onde o pecador após a conversão é considerado justo diante de Deus, não importando os atos que tenha praticado anteriormente. Já as suas vítimas, mesmo que tenham tido uma vida honrada, estarão condenadas se morrerem sem conversão.
[3] Nem sempre a reparação ocorre pelo sofrimento na mesma medida, mas, dependendo dos novos sentimentos do antigo algoz, a misericórdia divina permite que o resgate possa dar-se pelo amor, em várias oportunidades de devotamento em prol daqueles que foram suas vítimas.
[4] Ver também outros artigos deste blog sobre o tema: “A cada um segundo as suas obras” , “A fé e as obras segundo o Espiritismo” e “O bom ladrão e a reencarnação”.

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