ABRAÃO E O SACRIFÍCIO DE ISAQUE

ABRAÃO E O SACRIFÍCIO DE ISAQUE

          “E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi. Ao terceiro dia levantou Abraão os seus olhos, e viu o lugar de longe” (Gênesis 22:2- 4).

          Essa passagem causa muita estranheza para quem a lê sem as devidas informações acerca do contexto. Será mesmo que Deus pediria um sacrifício humano? Por que Abraão não se revoltou diante de tal pedido?

          Inicialmente é preciso lembrar que Abraão era politeísta, o conhecimento de um Deus único era uma realidade que somente viria muitos séculos depois, com Moisés. O que imperava ainda era a supremacia dos inúmeros deuses que povoavam a imaginação e a vida dos povos, inclusive o dia a dia de Abraão e sua família.

“Então, Josué disse a todo o povo: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Dalém do rio, antigamente, habitaram vossos pais, Terá, pai de Abraão e pai de Naor, e serviram a outros deuses.” (Josué 24:2)

          Elohim, o deus do velho patriarca nada mais era do que uma divindade particular, um, entre os muitos deuses que faziam parte do panteão mesopotâmico da sua terra natal, Ur dos Caldeus. Esse tipo de adoração é chamado de Henoteísmo, isto é, dentre uma multidão de divindades se podia escolher um deus em especial para ser a divindade protetora de um individuo ou de um clã. O próprio termo Elohim já demonstra o seu caráter politeísta, esta palavra hebraica tem origem mesopotâmica e significa literalmente “deuses”.  (ver o post: Abraão e os Espíritos do Senhor)

          Abraão pertencia ao grupo étnico semita e como nômade peregrinando pela terra de Canaã, tinha conhecimento dos costumes de vários outros grupos semitas como os cananeus e os fenícios que sacrificavam seres humanos em holocausto aos seus deuses. Desse modo, quando Elohim, ordenou que Isaque fosse levado ao monte para ser oferecido em holocausto, não causou surpresa em Abraão, pois era uma prática que ele conhecia, muito embora lhe custasse como pai imolar seu próprio filho, era natural que um deus fizesse um pedido desses, cabia a ele obedecer.

          Na verdade, Elohim ou mais propriamente os Espíritos do Senhor, os responsáveis pela evolução do pensamento religioso do povo hebreu, preparavam Abraão para ser o elo de transição do politeísmo para o futuro monoteísmo que seria estabelecido. E para isso, era necessário primeiramente anular a tradição de sacrifícios humanos para que os hebreus não viessem a praticá-los no futuro. O contato muito próximo com povos da mesma linhagem étnica os influenciaria muito facilmente nesse sentido desviando-os da missão de que seriam portadores.

           Por esse motivo, estando Abraão próximo de concretizar o sacrifício de Isaque, jazendo este sobre o altar do holocausto, um Espírito do Senhor lhe impede a ação no momento em que o golpe fatal seria desferido. Abraão então, substituiu o filho por um animal que estava preso nas proximidades entregando-o como oferta de sangue no holocausto.

          Encerrava-se assim, para Abraão e seus descendentes o hábito semita de sacrifícios humanos.

         Os escribas que escreveram a Torá e posteriormente os apóstolos viram nessa passagem um ato de fé e submissão.

          Todavia, as imolações de animais permaneceram devido ao estado evolutivo em que se encontravam, sendo nômades nesse período e vivendo da criação de animais, era compreensível que entendessem ser bem mais aceito por Deus um holocausto de sangue do que uma oferta dos frutos da terra. Isso faz lembrar dois personagens míticos: Caim e Abel, onde o primeiro foi rejeitado por oferecer vegetais em vez de gordura animal. Este simbolismo reflete a preferência dos hebreus.

          Seria necessário aplacar esse hábito aos poucos algo que, após algumas tentativas da espiritualidade (Oséias 6:6; I Samuel 15:22; Salmos 51:-16-17), só foi conseguido após a passagem do mestre Jesus.

Jefferson Moura de Lemos

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