O QUARTO DIA

O QUARTO DIA

 

         “Deus disse: “façam-se luzeiros no firmamento dos céus para separar o dia da noite; sirvam eles de sinais e marquem o tempo os dias e os anos; – e resplandeçam no firmamento dos céus para iluminar a terra”. – E assim se fêz. – Deus fez dois grandes luzeiros: o maior para presidir ao dia, e o menor para presidir à noite; e fez também as estrelas. – Deus colocou-os no firmamento dos céus para que iluminassem a terra. – Presidissem ao dia e à noite e separassem a luz das trevas. E viu Deus que isso era bom. – Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o quarto dia.”

 Gênesis 1: 14 – 19

   

        “As estrelas, de cuja natureza não podiam suspeitar, eram simplesmente pontos luminosos, de volumes diversos, engastados na abóbada, como lâmpadas suspensas, dispostas sobre uma única superfície e, por conseguinte, todas á mesma distância da Terra, tal como se vêem no interior  de certas cúpulas, pintadas de azul figurando a do céu.

         Se bem que sejam outras as ideias, o uso das expressões antigas se conservou. Ainda se diz, por comparação: a abóbada estrelada, sob a cúpula do céu.

         A ignorância completa do conjunto do universo e das leis que o regem, da natureza, da constituição e da destinação dos astros, que, aliás, pareciam tão pequenos, comparativamente à terra, fez necessariamente fosse esta considerada  como a coisa principal, o fim único da criação e os astros como acessórios exclusivos criados em intenção de seus habitantes. Esse preconceito se perpetuou até nossos dias, apesar das descobertas da ciência, que mudaram, para o homem, o aspecto do mundo. Quanta gente ainda acredita que as estrelas são ornamentos do céu, destinados a recrear a vista dos habitantes da terra!

         Não tardou, porém, se apercebessem do movimento aparente das estrelas, que se deslocam em massa do oriente para o ocidente, despontando ao anoitecer e ocultando-se pela manhã, e conservando suas respectivas posições. Semelhante observação, contudo, não teve, durante longo tempo, outra consequência que não fosse a de confirmar a ideia de uma abóbada sólida, a arrastar consigo as estrelas no seu movimento de rotação.

         Essas idéias, simplistas, constituíram no curso de largos períodos seculares, o fundo das crenças religiosas e serviram como base a todas as cosmogonias antigas.” Allan Kardec, capitulo V itens 4,6,7

 

        “um dos pontos que mais criticados têm sido na Gênese é o da criação do Sol depois da luz. Tentaram explicá-lo, com o auxílio mesmo dos dados fornecidos pela Geologia, dizendo que, nos primeiros tempos de sua formação, por se achar carregada de vapores densos e opacos, a atmosfera não permitia se visse o sol que, assim, efetivamente não existia para a Terra. Semelhante explicação seria, porventura, admissível se, naquela época, já houvesse na Terra habitantes que verificassem a presença ou ausência do Sol. Ora, segundo o próprio Moisés, então, somente plantas havia, as quais, contudo, não teriam podido crescer e multiplicar-se sem o calor solar.

         Há, pois, evidentemente, um anacronismo na ordem que Moisés estabeleceu para a criação do Sol; mas, involuntariamente ou não, ele não errou, dizendo que a luz precedeu o Sol.”  Allan Kardec capitulo V item 8

 

       Realmente como afirmou Kardec, Moisés ou os escribas responsáveis pela redação da torá, não erraram ao colocar a criação da luz antecedendo o Sol, muito antes do nosso Sol existir, outros sois e sistemas solares existiram, ou seja, a luz solar já existia em outros sistemas, em outras galáxias. Todavia, o universo como o conhecemos, não existia para os antigos hebreus, como já estudamos nos primeiros três dias da criação e como frisa Kardec no inicio das suas explicações. Assim, aqui vale os nossos comentários sobre a criação da luz contidos no post “O primeiro dia parte 2”.

      Um aspecto importante e que é um ponto positivo para o relato do quarto dia é a quebra com a idolatria aos astros. Embora eivado de erros, esse relato coloca os astros como uma criação da divindade e não como divindades. A maioria dos povos da antiguidade adoravam as estrelas, o sol e a Lua como deuses e a torá derruba essa divinização colocando-os como simples luzeiros para iluminarem a terra e fixarem o calendário, que no caso dos hebreus, era lunar.

 

   

          

Jefferson Moura de Lemos

 

 

Bibliografia:

Bíblia Sagrada, tradução dos originais mediante a versão dos monges de Maredsous (Bélgica) pelo Centro Bíblico Católico.

42ª Edição

Editora “Ave Maria”

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