O TERCEIRO DIA “Parte 1”

O TERCEIRO DIA 

PARTE 1 

         “E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos Céus num lugar; e apareça a porção seca. E assim foi. E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares. E viu Deus que era bom.” 

Gênesis 1: 9 – 10

  

          O universo aquático dos hebreus foi separado no segundo dia através de uma estrutura sólida chamada Ráquia ou firmamento, formando as águas superiores. Agora nos versículos do terceiro dia a atenção divina é voltada para as águas inferiores, aquelas que ficaram na parte de baixo da abóboda celeste.

          Essas águas são dispostas de modo a permitirem o surgimento da porção seca, isto é, dos continentes, que emergiram do fundo dos mares pelo afastamento das águas.

           Até aqui já fica claro que o relato do Gênesis não trata absolutamente da criação do universo ou do planeta terra como o conhecemos. Mas apenas narra as primeiras ideias que os homens da antiguidade faziam da formação do céu, que nada mais era que um teto sólido criado para suportar o peso das águas superiores e abrir espaço para o surgimento dos continentes (a porção seca), particularmente o território onde viviam os hebreus e os povos vizinhos. Esse era, pois, o mundo que conheciam naquela época.

 Vejamos os seguintes versículos:

 “Aquele que estendeu a terra sobre as águas (…).” (Salmos 136:6) – “Esquecem-se propositadamente que desde o princípio existiam os céus e igualmente a terra que a palavra de Deus fizera surgir do seio das águas, no meio da água.” (2pedro 3:5) – “Ele lhe disse: “Sou hebreu e venero a Iahweh, o Deus do Céu, que fez o mar e a terra”. (Jonas 1:9) – “quando punha um limite ao mar: e as águas não ultrapassavam o seu mandamento, quando assentava os fundamentos da terra.” (Provérbios 8:29)

          Acreditando em um céu solido, os antigos hebreus, ainda levados pela imaginação, acreditavam na existência de comportas no céu, as quais foram abertas no inicio do diluvio permitindo que as águas retidas pelo firmamento caíssem em forma de chuva, sendo fechadas no final (Gênesis 7: 11; 8:2).

 “A Primeira idéia que os homens formaram da Terra, do movimento dos astros e da constituição do universo, há de, a princípio, ter-se baseado unicamente no que os sentidos percebiam. Ignorando as mais elementares leis da Física e as forças da natureza, não dispondo senão da vista como meio de observação, apenas pelas aparências podiam eles julgar.

    Vendo o sol aparecer pela manhã de um lado do horizonte, e desaparecer, à tarde, do lado oposto, concluíram naturalmente que ele girava em torno da terra, conservando-se esta imóvel. Se lhes dissessem então que o contrário é o que se dá, responderiam não ser possível tal coisa, objetivando: vemos que o sol muda de lugar e não sentimos que a terra se mexa.

    A pequena extensão das viagens, que naquela época raramente iam além dos limites da tribo ou do vale, não permitia se comprovasse a esfericidade da Terra. Como, ao demais, haviam de supor que a Terra fosse uma bola? Os seres, em tal caso, somente no ponto mais elevado poderiam manter-se e, supondo-a habitada em toda a superfície, como viveriam eles no hemisfério oposto, com a cabeça para baixo e os pés para cima? Ainda menos possível houvera parecido isso com o movimento de rotação. Quando, mesmo aos nossos dias, em que se conhece a lei de gravitação, se vêem pessoas relativamente esclarecidas não perceberem esse fenômeno, como nos surpreendemos de que homens das primeiras idades não o tenham, sequer, suspeitado?

    Para eles, pois, a terra era uma superfície plana e circular, qual uma mó de moinho, estendendo-se a perder de vista na direção horizontal. Daí a expressão ainda em uso: ir ao fim do mundo, desconheciam–lhe os limites, a espessura, o interior, face inferior, o que lhe ficava por baixo.” Allan Kardec “A Gênese – Antigos e modernos sistemas do mundo” cap. V, itens 1-2. 

 

Jefferson Moura de Lemos

 

 

 

 

Referências:

– A Bíblia de Jerusalém, 7ª impressão: julho de 1995, Sociedade Bíblica Católica Internacional e Paulus. Tradução do texto em língua portuguesa, diretamente dos originais.

– Bíblia Sagrada. João Ferreira de Almeida. Edição 1995

– Kardec, Allan. “A Gênese”. Tradução Guillon Ribeiro, 35ª edição, FEP,1992.

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