O PRIMEIRO DIA “PARTE 1”

O PRIMEIRO DIA

PARTE 1 

“No princípio Deus criou o céu e a terra.”

    “A terra, porém estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo e um vento de Deus pairava sôbre as águas.”

      

(Genesis 1: 1- 2)

        

         O primeiro versículo do Gênesis apresenta uma visão geral do que irá acontecer em detalhes a partir do segundo versículo. Nele o redator evidencia a crença monoteísta informando que toda a criação provém do Deus único, criador de todas as coisas: “os céus e a terra” e que corresponde à conclusão de Gênesis 1:6-10.

         O segundo versículo começa revelando antigas noções sobre as águas e a terra. No início a terra “estava vazia e vaga”, no original hebraico “tohû” e “bohû”, ainda não havia sido criada ou estava em estado de confusão esperando emergir. São os continentes que se elevarão acima das águas dos oceanos, fato que ocorrerá no versículo 9 do gênesis.

         Os hebreus, assim como todos os povos do oriente médio, principalmente aqueles que ficam na faixa chamada crescente fértil (Mesopotâmia e o Egito na África) acreditavam que o mundo era circular como uma rosca e rodeado por águas sem fim, por isso, a tradição Judaica via o universo como um imenso reservatório de água.

         As águas (do hebraico Maim) eram uma espécie de matéria primordial a partir da qual Deus fez surgir toda a criação. Não há uma palavra ou ato criador de Deus com relação às águas, pois elas já existiam.

         Essas águas primevas eram retratadas pelos antigos sumérios, uma das fontes de onde beberam os escribas hebreus, como os deuses, Apsu (a água doce) e Tiamat (a água salgada). Retirados os nomes politeístas, e as devidas adaptações ao monoteísmo ficou a idéia original de um universo aquático.

         É de notar-se que o povo Sumeriano viveu na mesopotâmia, o local de origem de Abraão, mas na sua época já não existiam como povo sendo substituídos pelos Caldeus que herdaram a sua cultura.

         O dragão Tiamat sobreviveu nas lendas hebraicas do antigo Testamento com o nome de Leviatã, Tanin ou Raab; tornando-se um opositor a Deus e personificando as forças do mal.

         No livro de Jó encontramos uma alusão à batalha travada entre Tiamat e os deuses:

 

“Por isso, não refrearei a minha língua, falarei com espírito angustiado e queixar-me-ei com a alma amargurada. Acaso sou o Mar ou o Dragão, para que me cerques com guardas?”. (Jó 7: 11-12) –  “Por acaso não és tu aquele que despedaçou Raab, que trespassou o Dragão?”. (Isaías 51:9).“Naquele dia, punirá Iahweh, com sua espada dura, grande e forte, a Leviatã, serpente escorregadia, a Leviatã, serpente tortuosa, e matará o monstro que habita o mar.” (Isaías 27:1).

 

 

         Desse modo, “o abismo” eram as águas ou mais preçisamente o fundo dos mares, que permaneciam em trevas antes da criação da luz: vejamos algumas passagens que demonstram ser esse o sentido da palavra abismo:

 

“Os carros de Faraó e suas tropas, ao mar ele lançou; a elite dos seus cavaleiros, o mar dos Juncos devorou: o abismo os recobriu e caíram fundo como pedra.” (Êxodo 15:4-5) – “Louvai a Iahweh na terra, monstros marinhos e abismos todos.” (Salmo 148:7) – “As águas te viram, ó Deus, as águas te viram e tremeram, e os abismos estremeceram.” (Salmo 77:17) – “Ameaçou o mar dos Juncos, e ele secou, guiou-os sobre os abismos e no deserto.” (Salmo 106:9) – “ Ele disse, e levantou um vento tempestuoso que elevou as ondas do mar; eles subiram ao céu e baixaram ao abismo.” (salmo 107:25-26) – “Iahweh faz tudo o que deseja no céu e sobre a terra, nos mares e nos abismos todos.” (Salmo 135:6) – “diz o Abismo:’Não está em mim’: responde o Mar: ‘Não está comigo.” (Jó 28:14) – “Não és tu aquele que secou o mar, as águas do grande abismo?” (Isaías 51:10)

 

         Um vento ou em outras traduções, o Espírito de Deus, pairava sobre as águas. Nada existia a não ser água, nem mesmo luz havia nesse instante só trevas e água.

 

 

Jefferson Moura de Lemos

 

Bibliografia:

A Bíblia de Jerusalém, 7ª impressão: julho de 1995,

Sociedade Bíblica Católica Internacional e Paulus.

Tradução do texto em língua portuguesa,

diretamente dos originais

 

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