A ORIGEM DO HOMEM SEGUNDO ROUSTAING

Os escritos organizados por J.B. Roustaing (1866) intitulados de “Os Quatro Evangelhos, Revelação da Revelação”, obtidos através da médium Émilie Collignon, trouxeram uma série de controvérsias dentro da seara espírita.

Dentre os vários temas contidos nesses livros mediúnicos, o da origem dos humanos e a sua filiação corporal, proveniente das formas primitivas descritas no primeiro volume da obra [1] serão o objeto de estudo deste artigo.

De acordo com os espíritos que ditaram o livro, as primeiras encarnações humanas deram-se em corpos grosseiros, semelhantes a massas de carne alongada, comparados a invertebrados como vermes e lesmas [2].

Esses organismos rastejantes denominados de “substâncias humanas” se desenvolveram  e modificaram-se com o passar do tempo para a forma humana.

“(…) encarnam em mundos primitivos, ainda virgens do aparecimento do homem, mas preparados e prontos para essas encarnações”. – “Encarnam em substâncias humanas, às quais não se pode dar propriamente o nome de corpos*.” [3] “São corpos rudimentares. O homem aporta a essas terras no estado de esboço, como tudo que se forma nas terras primitivas.” – “As gerações se sucedem desenvolvendo-se.” Mal se arrastando em seus grosseiros invólucros (…).” – “Seus únicos instintos são os da alimentação e os da reprodução”. – “As gerações se sucedem desenvolvendo-se.” – “As formas se vão alongando e tornando aptas a prover às suas necessidades que se multiplicam.” [4] “Não poderíamos compará-los melhor do que a criptógamos carnudos [5]. Podeis formar ideia da criação humana, estudando essas larvas informes que vegetam em certas plantas, particularmente nos lírios. São massa, quase inerte, de matérias moles e pouco agregadas, que rasteja, ou antes, desliza, tendo os membros, por assim dizer, em estado latente.” [6] –  “Desde o estado de encarnação primitiva até a forma humana, não há outra coisa senão um tipo único em gérmen, a desenvolver-se. Tipo único, mas que se modifica, à medida que o seu desenvolvimento se opera, de conformidade com os meios em que se vai encontrando.” [7]

 Por tipo único, se conclui que o gênero humano progrediu numa mesma linhagem desde o estado de verme até adquirir a forma humana, sofrendo modificações segundo o meio ambiente. Isso sugere que a morfologia humana não evoluiu biologicamente do reino animal, dos primatas, mas, se desenvolveu de forma independente. Ideia que fica ainda mais clara com as afirmações posteriores:

 “Efetivamente o que se dá com a origem do tipo humano, que provém do limo diluído e fecundado, se verifica também com o principio das primeiras plantas, dos primeiros animais.” [7]Não obstante ser o desenvolvimento material das espécies animais, no momento da encarnação humana primitiva, superior ao do espírito humanizado, sob o ponto de vista do invólucro.” [7] – “Chegado, no seu desenvolvimento, ao período em que os carnívoros o atacam para devorá-lo, o homem já não se acha mais sem defesa e sem meios de fugir.” [8]

Das palavras acima se infere o seguinte: assim como o corpo humano provém diretamente do limo diluído e fecundado (lama), o mesmo fato ocorreu com as plantas e animais. Todavia, o “tipo humano” é único desde a origem, embora saído do mesmo material básico que foi o barro fecundo: “Eis, oh! homem a tua origem, o teu ponto de partida… a primitiva encarnação humana.” [6]

Dessa maneira, quando as substâncias humanas surgiram, os animais já eram fisicamente superiores, pois se locomoviam, enquanto que as larvas humanas se arrastavam pelo solo. A situação dessas substâncias moles somente melhora quando desenvolvem meios para fugir de seus predadores.

A ideia de que humanos e animais evoluíram de estruturas simples concorda com a biologia evolutiva atual. Todavia, a proposta Roustainguista está em desacordo gritante com a ciência, tornando a tese das substâncias humanas inaceitável e absurda.

Logicamente que os seres humanos são efetivamente únicos em relação aos demais reinos da natureza. Contudo, a ciência demonstrou de modo inequívoco que todos os seres vivos do planeta evoluíram de uma origem orgânica comum. O Homem resulta de uma ramificação dessa ancestralidade orgânica; pertencendo ao reino animal, à classe dos mamíferos e a ordem dos primatas, partilhando com esses animais muitas semelhanças tanto físicas como comportamentais. Logo, contrariando o tipo único de Roustaing.

É sugestiva a referência que a obra Roustainguista faz ao limo fecundo, sinônimo de argila e ao tipo único, remontando à mitologia do Gênesis e a criação do primeiro homem diretamente do solo. Em tal caso, será que as formas orgânicas moles e alongadas das substâncias humanas, qual massa de modelar, não seriam uma alusão à forma argilosa inicial de Adão? Estavam os espíritos Roustainguistas pretendendo explicar como a humanidade foi criada tomando Adão como referencial, na tentativa de encaixar o modelo bíblico da criação, numa linguagem atrativa, de modo a ser aceito no meio intelectual do século XIX?

O homem, progredindo a partir de um tipo único desde que saiu o limo fecundo, corroborava com a visão religioso-mitológica. Sabe-se que mesmo após a publicação de “A Origem das Espécies” de Charles Darwin em 1858, a maioria dos homens de ciência daquela época partilhava da visão religiosa tradicional sobre a procedência do homem e dos animais, apenas a proposta de um parentesco corporal lhes causava repugnância.

Assim sendo, uma explicação alternativa descrevendo como o homem saiu do barro, utilizando um palavreado próximo às ideias que estavam surgindo naquele momento, atrairia a atenção, principalmente dos espíritas recém-saídos das religiões tradicionais, receptivos a uma criação especial do gênero humano.

Portanto, tendo em vista o que foi observado nos trechos retirados da obra de Roustaing relacionados ao assunto, se é levado a acolher a opinião dos diversos pensadores espíritas quanto à produção Roustainguista: os espíritos que ditaram esses  livros eram de uma falange ainda apegada ao dogmatismo bíblico, que copiaram a codificação Kardequiana e acrescentaram ideias próprias. .

 

Jefferson Moura de Lemos

 

Referências:

[1] ROUSTAING, J.B. “Os Quatro Evangelhos” – vol. I. Rio de Janeiro-RJ, FEB. 8ª edição, 1994.

[2] Animais de corpo mole, moluscos.

(latim molluscus, moles).

* os grifos são nossos.

[3] Página 299

[4] Página 312

[5] Criptógamo vem de cripto escondido e gamae gameta, significando gameta escondido. Seriam organismos com estruturas reprodutoras pouco visíveis. Essa classificação criptógamos carnudos é exclusivo do roustainguismo. Assim, os humanos se originaram de molusco criptógamos.

[6] Página 313

[7] Página 315

[8] Página 314

 

 

 

 

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A PALAVRA REENCARNAÇÃO NÃO EXISTE NA BÍBLIA

“Responderam: Uns dizem que é João Batista; outros Elias; outros Jeremias ou um dos profetas.” – “E responderam-lhe: Uns dizem que és João Batista; outros Elias, outros pensam que ressuscitou algum dos antigos profetas.” (Mateus 16: 14; Lucas 9: 19)

     A frase que encima o artigo é constantemente dita pelos nossos irmãos de outros ramos do cristianismo. Assim, tentam demonstrar que se a palavra não é localizada na Bíblia a ideia também não se encontra nos textos.

        Porém, o espiritismo nunca afirmou que a palavra “reencarnação” encontra-se na Bíblia, já que o vocábulo surgiu somente no século XIX, entretanto, se podem encontrar referencias claras à ideia das vidas sucessivas mesmo que o termo reencarnação não esteja ali escrito.

         Tomamos como exemplo, a passagem onde Jesus interroga seus discípulos quanto ao que o povo dizia a seu respeito. O momento escolhido por Jesus para inquirir os seus seguidores mais próximos foi na cidade de Cesaréia de Filipe que ficava distante de Jerusalém [1], o que proporcionava uma ideia da fama que Jesus havia conquistado pelas regiões mais afastadas da Judeia.

        Certamente, a curiosidade da população faria com que surgissem diferentes pontos de vista sobre quem seria aquele jovem judeu, cujos ensinamentos e prodígios levantavam tantas especulações e dúvidas.

        Assim, os discípulos relataram que, para os habitantes daquele local, o divino Mestre poderia ser talvez, o João Batista, o próprio Elias, Jeremias ou algum outro profeta importante do passado que retornava. E a palavra utilizada para esse retorno segundo o evangelista Lucas é o termo ressurreição.

      Apesar da forte influência politeísta que existia na cidade, o texto indica que as opiniões referentes a Jesus provinham principalmente de seguidores ou simpatizantes do judaísmo, devido às comparações que faziam entre Jesus e os antigos profetas.

        Todavia, usando um pouco de raciocínio pode-se perguntar: como aquelas pessoas poderiam acreditar que Jesus fora um antigo profeta ressurreto se o jovem rabi tinha pai, mãe e irmãos? Por que creriam ser Jesus a ressurreição física de personagens mortos séculos antes de sua época [2], se o Seu próprio nome denunciava de quem era filho? Jesus chamava-se: Yeshua Ben Yussef, traduzindo: Jesus Filho de José. [3]

      A explicação para essa contradição não pode ser outra senão a ideia das vidas sucessivas.

        No contexto cultural daquela época, as pessoas tinham seus nomes atrelados à sua família, geralmente o nome do pai [4], lugar de nascimento ou de moradia, que eram usados como sobrenome e apelidos. Ora, se aquele povo sabia que Jesus tinha parentes, já que seu nome e a região de onde provinha assinalava quem tinha família, então fica claro que uma parte daquela população cogitava a possibilidade de Jesus ser a reencarnação de algum dos antigos profetas.

       Assim, para muitas pessoas de Cesaréia, Jesus poderia ser algum profeta do passado renascido em outro corpo e sob outra personalidade, como não tinham um nome especifico para o fenômeno utilizavam a mesma palavra, ressurreição, tanto para a renascença em outro corpo (reencarnação) quanto para o ressurgimento no mesmo corpo.

        Por isso, Allan Kardec afirmou no “Evangelho Segundo o Espiritismo” Capítulo IV, item 4 onde lemos:

      “As ideias dos Judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não eram claramente definidas, porque eles só tinham vagas noções sobre a alma e sua ligação com o corpo. Supunham que um homem, que já tivesse vivido, podia reviver, sem saberem de que maneira se podia realizar o fato. Designavam pela palavra ressurreição o que o espiritismo mais judiciosamente chama de reencarnação.”

      Essa passagem evidencia que certa parcela dos habitantes judeus da cidade de Cesaréia acreditava em reencarnação, mesmo de maneira imprecisa e sob uma designação genérica. Contrariando a opinião dos nossos irmãos contraditores da Doutrina Espírita.

 

Jefferson Moura de Lemos

 

 

[1] Localizada ao pé do monte Hermon, próxima do rio Jordão, a 40 quilômetros do Mar da Galileia e 150 quilômetros de Jerusalém, atualmente chama-se Banias. Foi construída por Herodes Felipe filho do rei Herodes.

[2] Exceto João Batista que havia morrido pouco tempo antes.

[3] João 1:45, João 6:42 e João 7:25-28; Mateus 1:6; Lucas 1:27, Lucas 3:23 e Lucas 4:22.

[4] Nomes Patronímicos https://pt.wikipedia.org/wiki/Patron%C3%ADmico

 

 

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O PROGRESSO PELA REENCARNAÇÃO E A VIOLÊNCIA ATUAL

À primeira vista, o aperfeiçoamento dos espíritos pela reencarnação parece contraditório, se confrontarmos esse progresso com a violência, a desigualdade social e o desamor que observamos na atualidade. Parece, como afirmam alguns contraditores do Espiritismo, que não houve avanço real na sociedade humana e que isso é um fator que depõe contra o ensino espírita do aprimoramento da humanidade por meio das vidas sucessivas.

Todavia, essa impressão revela uma total falta de compreensão acerca da História. Esses irmãos, ávidos por tentar ofuscar a doutrina reencarnacionista, não notam o quanto a humanidade avançou em todos os aspectos se comparados aos séculos pretéritos. Assim, Erram quando dizem que o nosso mundo vem piorando, pois que, a violência e as guerras de antigamente eram muito mais frequentes e brutais que hoje em dia. As leis eram muito mais injustas e o conforto material hoje é infinitamente melhor. Ao lado das grandes desigualdades atuais, podemos igualmente verificar amplas iniciativas, em todas as partes, visando às causas humanitárias como nunca houve.

O avanço da medicina proporciona maiores expectativas de vida e a degradação ambiental, ocasionada pelo aumento populacional e suas necessidades materiais cada vez maiores, são aos poucos, contrabalançadas pelas crescentes tecnologias que visam trazer o equilíbrio entre a ciência e a natureza.

Então, há sem dúvida aperfeiçoamento. Essa aparente contradição entre reencarnação e o progresso, procede unicamente da incompreensão acerca do que o Espiritismo ensina sobre a evolução espiritual e os processos de renovação planetária. Geralmente, as pessoas que não professam a Doutrina Espírita, dificilmente se interessam em buscar um entendimento mais aprofundado dos seus postulados, ficando na leitura superficial dos livros, catando contradições.

Um dos princípios básicos do ensino espírita é a pluralidade dos mundos habitados, ou seja, acreditamos na existência de vida inteligente em outros planetas. Existindo mundos habitados por seres com corpos físicos como o nosso e outros com vida puramente espiritual.

Os espíritos que habitam esses Orbes podem migrar de um mundo para outro e até de um sistema solar para outro, dependendo das suas necessidades evolutivas.
No Evangelho Segundo o Espiritismo capítulo III, verificamos, do ensino dado pelos espíritos, que os mundos em sua diversidade, são divididos em categorias: mundos inferiores ou primitivos, mundos de provas e expiações, mundos regeneradores e mundos superiores ou felizes.

Essas imigrações e emigrações dos espíritos acontecem por vários motivos:

Quando um espírito consegue chegar ao nível máximo de progresso que o planeta comporta, ele pode migrar para outro orbe mais elevado, reencarnar e continuar a progredir. As migrações também ocorrem quando um espírito não consegue acompanhar o progresso geral do planeta, então ele é encaminhado para um mundo que lhe seja compatível a fim de não ficar deslocado e causar impedimentos aos demais.
Espíritos que habitam mundos superiores, também podem migrar temporariamente para os planetas mais atrasados como missionários, levando o progresso intelecto/moral que as populações desses Orbes necessitam para a sua elevação.

Desse modo, os espíritos esclarecem que o mesmo ocorre com os habitantes da terra, o nosso planeta já esteve na categoria de mundo primitivo e atualmente está classificado como um mundo de provas e expiações. Milhões de espíritos que, por terem chegado ao progresso máximo que a terra pode comportar, deixam-na para habitar mundos mais elevados, ao passo que, milhões de outros vêm de diversos locais do espaço para o nosso mundo por afinidade evolutiva. Esse fenômeno migratório interplanetário no mundo espiritual, explica o aumento crescente da população, pois sempre haverá espíritos necessitando passar pela experiência das existências sucessivas na ambiência terrena. E isso também esclarece o porquê do aperfeiçoamento lento e gradual da coletividade humana, pois os espíritos que atingem a perfeição não permanecem aqui sendo substituídos por espíritos compatíveis com um mundo de provas e expiações.

Ainda segundo a codificação espírita, o momento presente é de transição, o nosso planeta está em vias de elevar-se na hierarquia dos mundos para o grau de regeneração. Muitos espíritos migrarão compulsoriamente para mundos menos elevados, por não se adequarem mais a essa nova condição da terra, enquanto que outros reencarnarão aqui por já estarem na condição espiritual exigida para um mundo regenerador, composto por espíritos essencialmente bons, transformando a terra num ambiente planetário, onde a justiça e o amor serão a regra geral nos corações humanos.

Entretanto, até se concretizar a regeneração supervisionada por Jesus, a violência e os desequilíbrios sociais que ainda permeiam as sociedades são uma consequência desse período de transição, onde os espíritos encarnados e desencarnados estão sendo avaliados e selecionados em seu livre-arbítrio. Aqueles que não aproveitarem a oportunidade e permanecerem rebeldes, trilhando os caminhos da barbárie serão afastados do Orbe terreno, ao passo que, os caminheiros do bem, vinculados ao pensamento Crístico, serão recompensados, permanecendo no mundo regenerado, serão os mansos que herdarão a terra segundo Jesus (Mateus 5.5) e a transição é a separação dos bodes e das ovelhas mencionada pelo Divino Mestre (Mateus 16:27) e que também se encontra no livro da revelação:

“Disse-me ainda: Não seles as palavras da profecia deste livro; porque próximo está o tempo. Quem é injusto, faça injustiça ainda: e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, santifique-se ainda. Eis que cedo venho e está comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo a sua obra”. (Apocalipse 22:10 -1)

Jefferson Moura de Lemos

 

Obs: Recomendo a leitura da resposta que dei à pergunta da leitora, Angelica cujo assunto complementa de certa forma este artigo.

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A IMPORTÂNCIA DO NOME ENTRE OS ESPÍRITOS SUPERIORES

          O Espiritismo é uma doutrina racional não existindo em seus postulados o apego a nomes, grafias, idiomas e objetos sagrados. Entretanto, alguns espíritas desavisados, influenciados por ensinamentos alienantes, fora das lides espiritistas, têm irrefletidamente abraçado preceitos que impõem a obrigatoriedade de nomes escritos e falados em línguas antigas como o Hebraico ou o Aramaico.

Para essas ideologias, apenas os nomes de Deus e Jesus grafados e sonorizados nessas “línguas sagradas” são as únicas formas de se dirigir e adorar reconhecidas pelo Criador e seu Messias. Os espíritas que seguem essas ideias revelam total incoerência para com a doutrina que supostamente dizem seguir.

Os nomes têm importância relativa no mundo espiritual, eles nos são importantes enquanto referência como indivíduos, mas não podem ser um fim em si mesmos, se somos espíritas e acreditamos na reencarnação devemos saber que a cada existência somos designados com nomes diferentes e até mesmo numa mesma existência podemos mudar nossos nomes. O que importa dessa forma é a nossa essência como seres imortais e haverá um momento em que não seremos reconhecidos por nomes, mas, pela nossa energia particular, pois os eflúvios que irradiamos é o que nos diferencia como indivíduos, caracterizando a vibração peculiar de cada criatura [1]. Na espiritualidade maior já é assim:

“À medida que os Espíritos se purificam e se elevam na hierarquia, as características distintivas de sua personalidade desaparecem, de certa maneira, na uniformidade da perfeição, mas nem por isso deixam eles de conservar a sua individualidade. É o que se verifica com os Espíritos superiores e os Espíritos puros. Nessa posição, o nome que tiveram na Terra, numa das mil existências corporais efêmeras por que passaram, nada mais significa. Notemos ainda que os Espíritos se atraem mutuamente pela semelhança de suas qualidades, constituindo grupos ou famílias simpáticas”. (O Livro dos Médiuns Cap. 24, item 256)

          Ora, uma vez que os espíritos evoluem para adquirir as qualidades superiores que os aproximem de Jesus e de Deus, deixando aos poucos os nomes de lado e apenas utilizando a energia que exteriorizam como forma de reconhecimento, quanto mais o Eterno que é o pai dos espíritos [2] e o seu Cristo não colocariam nomes e vocalizações “sagradas” em plano secundário.

A questão 282 do Livro dos Espíritos também é bastante esclarecedora sobre o assunto:

Como os Espíritos se comunicam entre si?

— Eles se veem e se compreendem; a palavra é material: é o reflexo da faculdade espiritual. O fluido universal estabelece entre eles uma comunicação constante; é o veículo da transmissão do pensamento, como o ar é para vós o veículo do som; uma espécie de telégrafo universal que liga todos os mundos, permitindo aos Espíritos corresponderem-se de um mundo a outro.

          É por isso, que os espíritos da codificação, não utilizaram nomes hebraicos, aramaicos ou gregos quando se referiam ao Criador e o Messias. Mas, adotaram a transliteração corrente usando os nomes Deus e Jesus [3] como nomes válidos tanto para encarnados como desencarnados, assim como poderiam utilizar-se de termos equivalentes em outras línguas, sem preferência especial por nenhuma. Porquanto o pensamento é o que realmente interessa para Deus, o conceito por trás da palavra [4]:

“Para os Espíritos, principalmente para os Espíritos superiores, a ideia é tudo, a forma não é nada. Livres da matéria, sua linguagem é rápida como o pensamento, pois é o próprio pensamento que entre eles se comunica sem intermediários. Devem, portanto, sentir-se mal quando são obrigados, ao se comunicarem conosco, a se servirem das formas demoradas e embaraçosas da linguagem humana e sobretudo de sua insuficiência e imperfeição, para exprimirem todas as suas ideias” [5]

Jefferson Moura de Lemos

[1] Ver o nosso artigo: Psicosfera e afinidade fluídica.
[2] Hebreus 12:9
[3] Dieu e Jésus em francês, língua original da Codificação Espírita.
[4] O Livro dos Espíritos pergunta 649
[5] O Livro dos Espíritos, introdução cap. XIV.
Ver também os artigos: A verdade sobre o nome Jesus e A importância do nome hebraico de Jesus no espiritismo.

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BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO

“Bem-aventurados os pobres de espírito,

porque deles é o Reino dos Céus” (Mateus, 5: 3)    

as-bem-aventurancas           A expressão “pobres de espírito” faz parte do sermão do monte no Novo Testamento. Apesar de “O evangelho Segundo o Espiritismo” demonstrar o verdadeiro sentido que Jesus deu a essa frase, muita gente que lê esses escritos diretamente da Bíblia faz uma leitura pessoal e seletiva, segundo as suas convicções, preconceitos e melindres.

          Alguns indivíduos, que por fazerem parte de uma elite intelectual, acreditam estar acima das pessoas comuns, se deixando envolver pela arrogância, passando a considerar todos os que não adquiriram uma cultura tão elevada quanto a sua como inferiores e ignorantes. Fazendo da passagem acima, uma leitura equivocada, segundo o seu orgulho e vaidade.

          Outros, por terem alcançado o alto da escala social, conseguindo poder e riqueza, passam a relacionar os “pobres de espírito” àquela parcela da população que não conseguiram ascender socialmente e por isso, não merecem um tratamento social mais igualitário por viverem no espírito de pobreza. Desse modo, ridicularizam a afirmação de Jesus de que o Reino de Deus é somente para elas, não compreendendo que o termo “pobre” ali não se refere ao que a sua interpretação orgulhosa deduz.

          Existem pessoas que também interpretam as palavras de Jesus no sentido da pobreza material. Mas, ao contrario dos nossos irmãos abastados, estes são realmente carentes de recursos e veem em sua pobreza, imposta pelos revezes da vida ou voluntária, a consolação e a certeza de já estarem aptos ao reino dos céus. Logicamente que aquele que sofre com paciência os dissabores de uma encarnação de dificuldades financeiras tem o seu mérito, todavia, a pobreza em si mesma ainda não é condição certa para adentrar aos planos espirituais elevados, pois muitos pobres existem que são tão orgulhosos, invejosos e mesquinhos quanto àqueles que utilizam a sua fortuna para esmagar o próximo.

          O fanatismo religioso também impede que se tenha uma leitura correta do Evangelho. Muitos religiosos convictos da sua salvação acreditam que se encaixam como uma luva nessa passagem, apenas por executarem humildemente os ritos, observarem os dogmas ou aceitarem as crenças da sua escola religiosa. Colocando todos aqueles que não compartilham de suas ideias como espiritualmente inferiores e automaticamente excluídos do Reino de Deus.

          Ainda há uma classe de irmãos que acreditam que ser pobre de espírito seja sempre agradar aos outros se esquecendo de si mesmo, numa humildade subserviente. Não se pode confundi-los com os bajuladores de plantão, mas, são individualidades que necessitam de esclarecimento quanto aos limites que se deve empregar quando se resolve ajudar o próximo. Pois, infelizmente, lobos vestidos de cordeiro irão se aproveitar da boa vontade e desprendimento para humilhar e escravizar, julgando tudo pedir que o seareiro desavisado estará sempre pronto e disponível. Essas ocorrências não devem esfriar o desejo de exercer a caridade, porém o seu exercício deve ser realizado com discernimento e sabedoria.

          Em todos esses casos há dissonância entre o que Jesus realmente queria dizer e o que foi compreendido equivocadamente. A pobreza de espírito a que o Mestre de Nazaré se referia é a humildade de coração, a simplicidade interior sem subserviência. Essa virtude que aproxima o homem de seu criador, não importando o seu nível social, a sua cultura, o seu grupo politico ou religioso.

          Ser humilde segundo Jesus é não ser egoísta, arrogante, orgulhoso, vaidoso em excesso ou todas as imperfeições que afastam o homem dos caminhos que Deus propõe para sua vida.

 Jefferson Moura de Lemos

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