OS INSTINTOS E A ORIGEM DO MAL

600-tentacao600OS INSTINTOS E A ORIGEM DO MAL

“Estudando-se todas as paixões e, mesmo, todos os vícios, vê-se que as raízes de umas e outros se acham no instinto de conservação, instinto que se encontra em toda a pujança nos animais e nos seres primitivos mais próximos da animalidade, nos quais ele exclusivamente domina, sem o contrapeso do senso moral, por não ter ainda o ser nascido para a vida intelectual. O instinto se enfraquece, à medida que a inteligência se desenvolve, porque esta domina a matéria. (A GÊNESE, CAPÍTULO III – item 10, Origem do bem e do mal).

A EVOLUÇÃO DO ESPÍRITO E OS INSTINTOS

          Segundo a Doutrina Espírita o Espírito é criado simples e ignorante, nessa fase inicial ele é denominado de Princípio Espiritual ou Princípio Inteligente. [1]
A partir de seu surgimento o Princípio Espiritual ou Inteligente começa o seu processo evolutivo passando por determinadas etapas, que são uma preparação antes de tornar-se um espírito propriamente dito, isto é, um ser autoconsciente. Esses estágios preparatórios ocorrem nos três reinos da natureza: O Reino Mineral, o Reino Vegetal e o Reino Animal.
Nesses reinos domina o determinismo e a vida instintiva, não existindo para o Princípio Espiritual uma consciência individual de si próprio e nem liberdade de escolha. Assim, nos minerais reina totalmente as leis Físico-Químicas, ao passo que nos primeiros organismos e nos vegetais, além desses processos existe também a organização da forma orgânica, o metabolismo e a sensibilidade, isto é, uma reação aos estímulos externos. Nos animais somam-se a essas características, também os instintos e o desenvolvimento de uma inteligência limitada às suas necessidades imediatas, como se observa principalmente entre os mamíferos.
Algumas espécies de mamíferos superiores também se destacam por demonstrarem comportamentos que já evidenciam a obtenção de uma autoconsciência e uma inteligência relativamente mais desenvolvida, como é o caso de chimpanzés, orangotangos e golfinhos. Esses Princípios Espirituais encontram-se num estágio muito próximo da individualização completa, no limiar da humanidade primitiva, como foram os hominídeos, os ancestrais do homem moderno. [2]
Chegado à fase humana, começa para o Princípio Espiritual a sua vida como Espírito, isto é, uma individualidade dotada de autoconsciência e livre arbítrio. Nesse estágio, não há mais possibilidade de retorno aos estágios anteriores, não podendo mais a alma humana reencarnar num corpo animal e você versa. [3]
Embora o ser humano também faça parte do Reino Animal, como mamífero e primata, convencionou-se para efeito didático, criar o vocábulo hominal para facilitar o entendimento e por ter alcançado os atributos de autoconsciência, raciocínio desenvolvido e livre arbítrio, características que o colocam de certa forma à parte perante os seus irmãos menores. [4]

OS INSTINTOS E O MAL

As qualidades próprias da humanidade vão aos poucos surgindo e se sobrepondo ao determinismo e a influência instintiva, tornando o ser humano capaz de intervir na natureza e no seu próprio destino. Todavia, os condicionamentos adquiridos nos reinos anteriores não desaparecem totalmente a não ser de forma gradual, os instintos vão somente aos poucos sendo subjugados à medida que o Espírito desenvolve a inteligência, a razão e a vida moral. Desse modo, os povos mais selvagens são os que estão mais próximos desses condicionamentos instintivos, por ainda não terem o intelecto e o senso moral desenvolvidos. [5]
A cada nova existência o espírito vai se despojando desses estímulos primitivos, mas, esse trabalho acontece de maneira mais ou menos rápida dependendo sempre da sua vontade e da liberdade de escolha que adquiriu. Podendo contrair outros condicionamentos nessa trajetória, acelerando a sua evolução ou retardando-a. Principalmente aquelas ligadas aos sentidos, quando então a sua razão e moralidade podem se tornar anestesiados pelas paixões inferiores e a sua inteligência subjugada e direcionada apenas à satisfação daquilo que constitui o seu objeto de prazer.
Nesses condicionamentos está a origem do mal. Quando essas influências instintivas dominam, sobrepujando a inteligência, a razão e a vida moral, sobejam os vícios de toda ordem, os excessos do orgulho e da vaidade, à busca pelo poder e todos os males que a humanidade vivenciou, vivencia e infelizmente ainda irá vivenciar por muito tempo. [6]

AS INFLUÊNCIAS ESPIRITUAIS E AS MITOLOGIAS

          O Espírito quando desencarnado e ainda dependente dos prazeres a que cedeu quando no plano físico, sofre por não podê-los satisfazer no mundo espiritual, almejando desse modo, ligar-se a um encarnado que compartilhe dos mesmos desejos, transformando-se num espírito obsessor.
Essas influências espirituais de espíritos humanos inferiores sempre existiram, estando presentes desde o surgimento da humanidade, sendo interpretadas de maneiras diversas na religiosidade e mitologias antigas, personificando-se muitas vezes em criaturas malfazejas que tentam desviar o homem, tornando-se adversárias dos deuses (Politeísmo) ou do próprio Deus (Monoteísmo), como é o caso de satã no cristianismo tradicional. Satanás, arimã ou quaisquer outras personificações mitológico/religiosas do mal, nada mais são do que representações da coletividade de espíritos humanos sofredores ou mal intencionados, ainda presos aos instintos inferiores. [7]

Jefferson Moura de Lemos

[1] O Livro dos Espíritos, questões: 23 e 79. A Gênese, cap. XI, item 1.
[2] A – O Livro dos Espíritos, questões: 189, 190, 604, 606, 606A.
B – No Mundo Maior, de André Luiz, cap. 4.
C – Evolução em Dois Mundos, André Luiz, cap. 4.
D – Essa humanização provavelmente não acontece mais em nosso orbe, por não abrigar mais humanos tão primitivos. Devendo ocorrer em mundos que devam estar no estágio de primitividade que a terra esteve no passado.
[3] O Livro dos Espíritos, questões: 611, 612 e 613.
[4] O Livro dos Espíritos, questão: 595.
[5] O Livro dos Espíritos, questões: 191, 849.
[6] O Livro dos Espíritos, questões: 605 e 605A, 845, 846, 907, 908.

[7] A Palavra hebraica Satã ou Satanás significa originalmente “adversário” e era empregada para todos os casos em que alguém se opunha a outrem. Até mesmo o anjo do Deus foi chamado satã (Números 22: 22). O vocábulo ganhou a conotação espiritual exclusivamente maléfica empregada atualmente a partir da influência dualista do Zoroastrismo, tornando-se à semelhança de Arimã o adversário de Deus.

Publicado em Os instintos e a origem do mal | Marcado com , , , , , | Deixe um comentário

O NOVO CONCERTO E A REMIÇÃO PELA FÉ

     O NOVO CONCERTO E A REMIÇÃO PELA FÉimages (1)

          Para os crentes (…). O Segundo concerto teria sido consumado no Gólgota, no instante em que Jesus teria expiado nossos pecados através de sua crucificação. Esse ato teria levado Deus a mudar a ordem das coisas e, a partir daí, a salvação das almas estaria condicionada “à fé”.
Na Lei de Moisés, a remição dos pecados decorria da observância à Lei e do sacrifício de animais. No concerto com Jesus, referida remição seria obtida mediante a fé, ou seja, a aceitação de Cristo como o filho de Deus. Estarão imediatamente livres da culpa e da condenação todos, que declararem acreditar em Jesus.
Pensando assim, ficou até mais fácil com Jesus de que com Moisés. Com o Cristo basta a fé. Com Moisés o pretendente à remição de pecados estava sujeito a doar um bode ou um bezerro, para ser morto, o que acabava representando um custo.
Crimes hediondos, mortes, tragédias, estupros, destruições, assassinatos, roubos, prostituições, calúnias, toda sorte de torpeza e iniquidade praticada pelo homem, seria remido por um simples ato de aceitação de Jesus como o salvador. Fácil, não?
Só esqueceram de um pequeno detalhe: a vítima. Ou, melhor, as vítimas. Como ficaria a multidão de almas esbulhadas [1], ofendidas, maltratadas, destruídas, vilipendiadas pelos ofensores? Muitas até assassinadas, sem que tivessem tido tempo de também aceitar Jesus? Onde ficariam os clamores dos que esperam pela justiça Divina? O algoz, ao aceitar Jesus, é “perdoado” Gratuitamente de seus pecados. Onde ficaria a justiça?
Rejeitamos esta crença do “perdão” pela fé, por uma razão elementar: ela é contrária aos princípios de justiça aclamados por Jesus. Em nenhum momento Jesus pregou o perdão gracioso das dívidas. Muito pelo contrário, Ele deu ênfase à necessidade do pagamento das dívidas, chegando a dizer que daqui não sairemos enquanto não tivermos pagos o último centavo (MT 5:26).
Não precisa ser estudioso do Evangelho para saber que a moral cristã está amparada na Justiça Divina. O homem que perdoa confia na justiça de Deus. Os que não acreditam nessa justiça recorrem à vingança. Seria justo isentar de pecados irmãos cujo único mérito seja aceitar Jesus como Salvador? E que nada fizeram em prol de suas vítimas? [2]
A verdade é que a fé não isenta ninguém de reparar seus erros. Aceitar Jesus como seu Salvador é um ato meritório, que deve levar o transgressor a refletir acerca da necessidade de se reposicionar na vida, substituindo erros por virtudes. E isto só se obtém com a prática das boas obras.
Cristo disse, por exemplo, “… importa que o filho do homem seja levantado, para que todo aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3: 15). É absolutamente certo isso aí.
Resta saber o que ele pretendeu dizer com a expressão “Nele crer”. Legítimo crente em Cristo é aquele que adota o padrão de vida por Ele exemplificado, que se resume na prática da caridade e do amor ao próximo. Quem assim vive acumula méritos espirituais, e como a Lei é “a cada um segundo as suas obras”, o legítimo crente em Cristo está habilitado para a felicidade futura (a vida eterna).
O mero ato de crer não isenta o devedor da obrigação de “reparar” seus erros.
Nascer de novo, voltar ao mundo da carne, sofrer na pele os males que haja impingido a outrem aí sim, o saciamento da justiça de Deus se patenteia, e o enunciado evangélico do “aí não saireis enquanto não pagares o último ceitil” se confirma. [3] E o devedor, por sua vez, ao resgatar sua dívida retornará à pátria espiritual aliviado dos seus erros e feliz por ter sido merecedor da glória que o espera. [4]

Extraído do livro “O Espiritismo à Luz da Bíblia Sagrada”

Autor: Melcíades José de Brito

Editora DPL, P.62 a 67

 

 

 

Notas do blog:

[1] Espoliadas, privadas.
[2] A justificação pela fé é uma das doutrinas do protestantismo, onde o pecador após a conversão é considerado justo diante de Deus, não importando os atos que tenha praticado anteriormente. Já as suas vítimas, mesmo que tenham tido uma vida honrada, estarão condenadas se morrerem sem conversão.
[3] Nem sempre a reparação ocorre pelo sofrimento na mesma medida, mas, dependendo dos novos sentimentos do antigo algoz, a misericórdia divina permite que o resgate possa dar-se pelo amor, em várias oportunidades de devotamento em prol daqueles que foram suas vítimas.
[4] Ver também outros artigos deste blog sobre o tema: “A cada um segundo as suas obras” , “A fé e as obras segundo o Espiritismo” e “O bom ladrão e a reencarnação”.

Publicado em A fé e as obras, Sem categoria | Marcado com , , , , , , , | Deixe um comentário

PEDRO E A CHAVE DOS CÉUS

PEDRO E A CHAVE DOS CÉUSSão Pedro Apóstolo (recebendo o poder das Chaves do Céu)

“Eu te darei as chaves do reino dos céus: Tudo o que ligares na terra, será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mateus 16:17)

     Na passagem acima, Jesus delega um poder extraordinário a Pedro, a capacidade de autorizar ou desautorizar a entrada de uma pessoa nos céus. A Igreja Católica Apostólica Romana acredita que os seus sacerdotes também herdaram esse poder, podendo excomungar ou perdoar os pecados de um fiel. Mas será que a Igreja realmente herdou a faculdade de “ligar e desligar” do apóstolo? Em que realmente consistia essa autoridade apostólica?
Vamos analisar os versículos na íntegra, do inicio da conversação entre Jesus e seus discípulos até a parte que culmina na transferência de poder a Pedro:

“Chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: “no dizer do povo, quem é o Filho do homem?”- Responderam: “Uns dizem que é João Batista; outros Elias; outros, Jeremias, ou um dos profetas.” – Disse-lhes Jesus: “E vós, quem dizeis que eu sou?”- Simão Pedro, respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!”– Jesus então lhe disse: “Feliz és, Simão filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue quem te revelou isto. Mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; – Eu te darei as chaves do reino dos céus: Tudo o que ligares na terra, será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” – Depois ordenou aos seus discípulos que dissessem a ninguém que ele era o Cristo”. (Mateus 16:13 – 20) [1]

1 – Percebe-se claramente do texto que a pedra sobre a qual Jesus edificaria a sua Igreja seria a revelação, isto é, a confissão inspirada por Deus feita por Simão de que o Mestre Jesus é o Cristo. Já que a revelação foi recebida por Simão, o Senhor troca-lhe o nome por Pedro ou pedra (Cefas em Grego) [2]. Assim, a rocha não é o homem mais a ideia transmitida por ele e o seu novo nome é apenas o símbolo desse testemunho.

2 – Logo em seguida, Jesus transfere para Pedro a responsabilidade de vetar a entrada nos céus daqueles que ele julgar não merecedores. Essa autoridade é colocada exclusivamente nas mãos de Pedro não havendo alusão, em nenhuma parte, acerca de uma transferência posterior. No Evangelho Segundo João essa concessão é estendida também aos demais discípulos:

“Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes: “A paz esteja convosco!”- Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor. – Disse-lhes, outra vez: “A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós.” – Depois destas palavras soprou sobre eles dizendo-lhes: “Recebei o Espírito Santo. – Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos.” (João 20:19-23)

     A capacidade de perdoar e reter pecados estendia-se igualmente a todos os companheiros de Pedro, ou seja, todos os apóstolos detinham as “chaves do reino dos Céus”. O que nos faz supor que Pedro não exercia uma primazia efetiva sobre os demais.
Isso é constatado por diversas passagens onde Pedro realmente não exercia liderança ativa e Tiago muitas vezes comandava os concílios. Pedro era até repreendido em alguns momentos e em suas epístolas fez questão de igualar-se aos demais companheiros de ideal sem demonstrar primazia ou erigir um trono para si [3]. Disso resulta que a Igreja Católica Apostólica Romana, embora tenha o mérito de ter expandido o Cristianismo nos séculos seguintes, preservado e organizado os Evangelhos e ainda ter sido o ambiente de trabalho de vários espíritos elevados como o pobrezinho de Assis e a Madre Tereza, não poderia alegar para si a posse desse poder, já que a escritura sugere um ato pessoal e intransferível, que dizia respeito apenas aos apóstolos.
Assim sendo, a Igreja utilizou-se erroneamente de um poder que verdadeiramente nunca teve, chegando até a privilegiar o Papa com uma infalibilidade ilegítima.
Pedro e os demais discípulos eram os instrumentos para que a pedra fundamental (a revelação de que Jesus era o Cristo) pudesse se perpetuar através da comunhão fraternal entre eles e da divulgação da Boa Nova.

3 – É preciso esclarecer ainda que essas chaves do Reino dos céus são puramente simbólicas, Pedro e os seus companheiros não poderia decidir quem vai e quem não vai para o céu a seu bel prazer, os apóstolos somente julgavam com certa exatidão os erros alheios porque estavam assessorados diretamente pelo Paráclito ou como é geralmente denominado de Espírito Santo e que para nós espíritas, representa a comunidade de Espíritos Superiores que assistiram os apóstolos naquele período. Isso dava a eles uma maior precisão ao discernir acerca dos diversos conflitos de interesse, individuais e coletivos, que possivelmente surgiam dentro da comunidade.
É o que se constata dessa outra passagem de Mateus em que Jesus se dirige aos seus discípulos:

“Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão; Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusa ouvi-los, dize-o à igreja. E se recusa ouvir também a igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano. Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu. (Mateus 18:15-18)

     A Igreja a que se referem esses versículos era a comunidade dos doze discípulos ou assembleia dos apóstolos e não se refere às comunidades que se formariam posteriormente [4], o que fica bem claro nos versículos 18:1e 21e ainda nos versos 19-20: “Digo-vos ainda isto: se dois de vós (os discípulos) se unirem sobre a terra…”.
Assim sendo, a sentença de entrar ou não no Reino dos Céus nada mais era do que admoestar e constatar aquilo que já existia no coração dos indivíduos. Atitudes e sentimentos morais que naturalmente não permitiriam o acesso aos planos espirituais elevados, pois os mecanismos de afinidade são os mesmos, tanto no plano físico quanto no ambiente espiritual, situando os indivíduos automaticamente em locais onde encontrarão outras criaturas que se afinizam com o seu modo de ser.
Os próprios discípulos mesmo tendo uma elevada assistência espiritual não eram invulneráveis aos erros, seguindo o próprio coração em muitos momentos, dando margens a conflitos internos na própria assembleia. Então, Seria muita imprevidência de Jesus, disseminar um poder dessa magnitude às lideranças posteriores aos discípulos, conhecendo como conhecia o coração humano. Sabendo que frequentemente os homens colocam os interesses políticos e pessoais acima dos interesses reais do reino divino. A História nos informa que essas passagens foram utilizadas pela Igreja por séculos para oprimir e submeter os fiéis. Mesmo os reis tremiam diante do Papa e poucos ousavam questionar o poder temporal da Igreja sob as ameaças de excomunhão.
Desse modo, a tradição das chaves e a sucessão apostólica se perpetuaram, inicialmente para combater os diversos movimentos cristãos contrários à teologia Católica e posteriormente, para servir puramente aos benefícios temporais da Igreja, em detrimento das preocupações genuinamente espirituais.

Jefferson Moura de Lemos

[1] Bíblia Sagrada, tradução dos originais mediante a versão dos Monges de Maredsous (Bélgica) pelo Centro Bíblico Católico. Editora “Ave Maria” 42ª edição.
[2] Cefas é a transliteração do aramaico Kepha.
[3] Atos 2: 42- 47; 8: 14; 11:1-2; 21:18; 1 Pedro 1:1; 5.1
[4] Igreja ou Eclésia é uma palavra grega que significa originalmente assembleia, reunião de pessoas e não se refere à Igreja Católica Apostólica Romana, pois que essa instituição ainda não existia. É a transliteração do Hebraico “Qehal” que quer dizer originalmente “chamados para fora” quando os hebreus do deserto eram chamados por Moisés para fora de suas tendas a fim de se reunirem em assembleia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja

Publicado em Pedro e a chave dos Céus | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

A PUREZA DE JESUS E SEU GOVERNO PLANETÁRIO

jesus_natal11A PUREZA DE JESUS E SEU GOVERNO PLANETÁRIO

          Os adversários do Espiritismo estão sempre à procura de contradições nas obras Kardequianas [1] com o intuito de causar desconfianças e polêmicas. Essa busca por inconsistências doutrinárias que possam ser usadas para refutar os argumentos Espíritas é um sintoma natural de incômodo, visto que como opositores da Doutrina Espírita, eles não poderiam ficar alheios à aceitação que os princípios espiritistas estão tendo na sociedade.

          Entretanto, como não conseguem encontrar incoerências, muitas vezes utilizam-se de artifícios como a ligação forçada entre textos, que são propositadamente separados de seu contexto na tentativa de criar uma discrepância entre o que está escrito e o que é veiculado. É o que aconteceu com as palavras contidas no livro “A Gênese” em que o codificador declarou que considerava Jesus um Espírito Superior da mais alta hierarquia: “considerando-o apenas um Espírito superior, não podemos deixar de reconhecê-lo um dos de ordem mais elevada” [2]. Muitos desses irmãos viram nessa afirmativa de Kardec um meio para demonstrar que ele identificava Jesus como um Espírito pouco elevado, diferentemente do que geralmente é difundido no meio espírita. Pertencente à segunda ordem, a dos espíritos superiores de acordo com a classificação hierárquica proposta em o “Livro dos Espíritos” (L.E), Jesus não seria então um Espírito puro de primeira ordem.

          Dessa forma, o Espiritismo, na opinião desses nossos irmãos, na realidade diminui a importância da personalidade de Jesus colocando-o como tendo uma autoridade limitada com relação ao orbe terreno, tendo sido apenas um simples instrutor moralista e caridoso. Pertencendo ainda a ordem dos espíritos superiores, o mestre de Nazaré ainda teria provações a suportar naquela época, o que segundo esses irmãos opositores, seria a explicação Espírita para o sofrimento do Mestre.

          E para respaldar ainda mais essa apreciação errônea, eles geralmente colocam ao lado da afirmação de Kardec, a questão 98 do “L.E” onde se lê:

Os Espíritos da segunda ordem só têm o desejo do bem; terão também o poder de fazê-lo? — Eles têm esse poder, de acordo com o grau de sua perfeição: uns possuem a ciência; outros a sabedoria e a bondade. Todos, entretanto, ainda têm provas a sofrer”.

          Essa resposta dada pelos Espíritos à primeira vista parece realmente corroborar com o raciocínio desses antagonistas, demonstrando uma clara contradição entre o que os Espíritas divulgam a respeito da figura de Jesus e o que realmente a Doutrina Espírita ensina.

     Infelizmente, muitos admiradores do Espiritismo não se dão ao trabalho de examinarem com mais atenção o texto na sua íntegra, diretamente do livro e caem nessa armadilha. Os não espíritas passam a acreditar que encontraram mais um argumento de oposição ao Espiritismo e divulgam esse sofisma sem nenhum critério.

      Todavia, as palavras de Allan Kardec foram desconectadas intencionalmente, separadas de seu conjunto com a finalidade de validar raciocínios falsos, acerca do que realmente ensina o Espiritismo sobre Jesus e sua condição evolutiva.

        No mesmo capítulo do livro “A gênese” de onde foi manipulada a afirmativa do codificador, podemos encontrar o verdadeiro sentido das palavras de Kardec:

“Como homem, tinha a organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver mais da vida espiritual, do que da vida corporal, de cujas fraquezas não era passível.”

          Agora podemos compreender o que Kardec queria explicar quando ressaltou que a superioridade de Jesus era da “mais alta hierarquia”: demonstrar nesse trecho, omitido pelos opositores, que Jesus era um Espírito Puro, ou seja, dentre os Espíritos superiores o Rabi da Galileia estava na mais alta posição hierárquica em pureza e autoridade.  Pertencendo dessa forma, à primeira ordem:

“Na primeira ordem, podemos colocar os que já chegaram à perfeição: os Espíritos puros. Na segunda, estão os que chegaram ao meio da escala: o desejo do bem é a sua preocupação. Na terceira, os que estão ainda na base da escala: os Espíritos imperfeitos, que se caracterizam pela ignorância, o desejo do mal e todas as mais paixões que lhes retardam o desenvolvimento”. (questão 97 do L.E)

          No Livro o céu e o Inferno Cap.3 item 12 Lê-se o seguinte: “Os puros Espíritos são os Messias ou mensageiros de Deus pela transmissão e execução das suas vontades. Preenchem as grandes missões, presidem à formação dos mundos e à harmonia geral do Universo, tarefa gloriosa a que se não chega senão pela perfeição. Os da ordem mais elevada são os únicos a possuírem os segredos de Deus, inspirando-se no seu pensamento, de que são diretos representantes”.

          Jesus como um Espírito puro, foi escolhido por Deus para formar a terra e governa-la, encaminhando a evolução das criaturas que aqui vivem. Ele tem toda a autoridade outorgada pelo criador relativamente a este orbe, assim sendo, Jesus segundo o Espiritismo é o CRISTO PLANETÁRIO.

         Ele é a representação do Pai que podemos ter acesso, a essência mais próxima de Deus que podemos suportar. Essa afirmação pode até aparentemente sugerir que Deus está muito distante do homem, entretanto, o Espiritismo ensina que Deus é uma inteligência infinita que interpenetra todas as coisas e está até dentro de nós e por meio da oração podemos entrar em sintonia com o nosso criador. Porém, Jesus, devido ao nosso estado evolutivo encontrasse mais próximo das necessidades diretas do nosso orbe, assim como tambem os anjos ou, como dizemos os espíritos superiores. Por isso, na questão 625 do L.E, Jesus é considerado o mais perfeito modelo a ser seguido.

        Para a Doutrina Espírita Jesus não teve outras encarnações na terra, não necessitando resgatar débitos nem passar por provações, mas, como um Espírito puro pôde encarnar na nossa esfera, incumbência que Ele mesmo si impôs. [3]

Jefferson Moura de Lemos

[1] Lembramos que o código Kardequiano não se restringe aos cinco livros que normalmente são divulgados, mas, abrange ainda outros volumes: O que é o Espiritismo, Viagem Espírita de 1862, Obras Póstumas, o Principiante Espírita, A Obsessão, O Espiritismo na sua expressão mais simples, Instrução prática sobre as manifestações espíritas (foi substituída pelo Livro dos Médiuns). Incluindo-se tambem a Revista Espírita, um periódico lançado pelo codificador em 1858 e que esteve sob a sua direção até o seu desencarne.

[2] A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Cap. XV item 2.

[3] “Os Espíritos já purificados descem aos mundos inferiores? “Fazem-no frequentemente, com o fim de auxiliar-lhes o progresso. A não ser assim, esses mundos estariam entregues a si mesmos, sem guias para dirigi-los.” (O Livro dos Espíritos, questão 233).

Publicado em Natureza de Jesus | Marcado com , , , , , , , , | Deixe um comentário

A JUMENTA DE BALAÃO E AS COMUNICAÇÕES MEDIÚNICAS

A JUMENTA DE BALAÃO E AS COMUNICAÇÕES MEDIÚNICAS

 A JUMENTA DE BALAÃO E AS COMUNICAÇÕES MEDIÚNICAS

 

 

 

 

         No livro de Números, escrito por Moisés, é narrada a forma de intercessão de um Espírito, que se valeu de uma jumenta, para modificar o intento de Balaão (servo do Senhor) que se dirigia ao encontro de Balaque (filho de Zipor, rei dos moabitas). Vendo o Espírito, a jumenta recuava e não atendia aos desejos de continuar a viagem, de Balaão. Este passou a açoitá-la, até que na terceira vez, surge o inesperado. Está escrito na Bíblia assim:

          “Então, o Senhor abriu a boca da jumenta, a qual disse a Balaão: Que te fiz eu, que me espancaste estas três vezes? E Balaão disse à jumenta: Porque zombaste de mim; tomara que tivera eu uma espada na mão, porque agora te mataria. E a jumenta disse a Balaão: Porventura, não sou tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo que eu já fui tua até hoje? Costumei eu alguma vez fazer assim contigo? E ele respondeu: Não. Então, o SENHOR abriu os olhos a Balaão e ele viu o Anjo do Senhor que estava no caminho” (Números cap.22, vers. 28 a 31).

          Lendo o trecho a gente até sente pena da jumenta. A humildade com que ela fala, mesmo após a afirmação de Balaão de que, se tivesse uma espada a mataria.

          O apóstolo Pedro se reportou a este episódio, afirmando que “… o mudo jumento, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta” (2 Pedro, cap.2, vers. 16). E você, o que acha?

          Uma jumenta falando com voz humana! Seria possível? Isso nós conceituamos como fenômeno mediúnico. Comunicação dos Espíritos com os homens. Balaão recebeu uma mensagem espiritual impedindo-o de prosseguir na caminhada. A bem da verdade, que fique claro que a jumenta não falou. O fenômeno foi de audiência: Balaão ouviu a voz direta do Espírito, e julgou que provinha da jumenta, em face da argumentação expedida. Em seguida, veio o fenômeno de vidência e Balaão viu o Espírito comunicante [1].

          O texto se refere a um “anjo do senhor”. Se os “anjos” confabulavam com os homens na antiguidade, o que os impede de fazer o mesmo hoje? Chamar de anjo ou de espírito é só uma questão de palavras. O fenômeno não se altera por conta disso [2].

Extraído do livro “O Espiritismo à Luz da Bíblia Sagrada”

Autor: Melcíades José de Brito

Editora DPL, P.50,51

 

 

 

 

Notas do blog:

[1] Ver o Livro dos Médiuns: Pneumatofonia, Médiuns Audientes e Manifestações visuais.

[2] Hebreus 1: 13 – 14

Publicado em Mediunidade na Bíblia | Marcado com , , , | Deixe um comentário